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O que acontece no projeto final do summer camp de design automotivo

escrito por
Natasha Machado
9/4/2026
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5 min
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A maioria dos programas de verão termina com uma apresentação, um diploma e uma memória. O summer camp de design automotivo realizado em Milão, termina com algo concreto: um projeto automotivo completo desenvolvido pelo participante ao longo de duas semanas, com sketches refinados, render digital e um modelo físico em argila na escala 1:10.

Esse entregável final não é uma atividade complementar. É o fio condutor de todo o programa. Cada aula, cada laboratório e cada visita técnica ao longo das duas semanas serve para que o jovem construa e refine o projeto que será apresentado no último dia. Para pais que querem entender o que o filho vai produzir, este artigo detalha como esse processo acontece na prática.

Como o projeto começa: da ideia ao primeiro sketch

O projeto não começa com uma instrução de design pronta. Começa com uma pergunta: que carro você quer criar? Os participantes recebem orientação sobre os fundamentos do design automotivo, mas a concepção do veículo é individual. Cada jovem desenvolve um conceito próprio, com linguagem, proporções e estética escolhidas por ele.

A primeira fase do projeto é a ideação. Os participantes aprendem técnicas de sketching automotivo, desenho de volumes e proporções de carros, e começam a traduzir a ideia em papel. Os primeiros sketches não precisam ser perfeitos. São exploratórios. O instrutor orienta cada jovem individualmente, ajudando a identificar o que funciona e o que precisa ser revisado.

Nessa fase, os participantes passam por:

  • Fundamentos de perspectiva e proporções automotivas
  • Técnicas de traço para comunicar volume e forma
  • Exercícios de linha rápida para desenvolver o olhar de designer
  • Feedback individual sobre os primeiros conceitos

Ao final dos primeiros dias, cada jovem tem uma direção clara para o projeto que vai desenvolver ao longo da semana seguinte.

Da fase de sketch ao render digital

Com o conceito definido, o projeto avança para a etapa de refinamento e digitalização. Os sketches são trabalhados até um nível de acabamento que permita a transição para o render digital. Nessa etapa, os participantes têm acesso a software profissional nos laboratórios do programa e aprendem as técnicas básicas de rendering automotivo.

O objetivo não é dominar o software completamente em duas semanas. É aprender a usar a ferramenta para comunicar o projeto com qualidade visual. Um render bem executado mostra materiais, iluminação, reflexos e a linguagem geral do veículo conceito. Ele transforma o sketch em uma imagem com impacto visual próximo ao de um projeto real.

Essa etapa contempla:

  • Introdução ao render digital com software profissional
  • Técnicas de cor, materiais e iluminação para veículos
  • Refinamento das proporções e detalhes da carroceria
  • Exploração básica de design de interior e UX automotivo

O render digital é um dos elementos centrais do portfólio de candidatura para faculdades de design. Ter um render desenvolvido com orientação profissional em Milão é um diferencial concreto para jovens que ainda não tiveram acesso a esse tipo de formação.

A etapa de modelagem: do digital ao físico

A terceira fase do projeto é a modelagem em argila. Os participantes trabalham com argila industrial para construir um modelo tridimensional do veículo na escala 1:10. Essa é a etapa mais prática e, para muitos jovens, a mais reveladora.

A argila permite explorar a forma do veículo de um modo que o sketch e o render não permitem. Volume, curvas, arestas e transições de superfície só se tornam completamente compreensíveis quando trabalhados fisicamente. Por isso, a modelagem em argila continua sendo uma ferramenta central nos estúdios de design das maiores montadoras do mundo, mesmo na era digital.

O processo de modelagem no programa inclui:

  1. Introdução às técnicas de modelagem em argila industrial
  2. Construção do volume base do veículo na escala definida
  3. Refinamento das superfícies e detalhes de design
  4. Acabamento final para apresentação

Ao final dessa etapa, cada jovem tem em mãos um modelo físico que representa o conceito desenvolvido ao longo de todo o programa. Esse modelo pode ser fotografado e incluído diretamente no portfólio de candidatura para a faculdade.

Como é a apresentação final?

No encerramento do programa, os participantes apresentam o projeto completo para os instrutores e colegas. A apresentação inclui os sketches do processo, o render digital final e o modelo em argila. Cada jovem explica as escolhas de design, a evolução do conceito e o que aprendeu ao longo das duas semanas.

Essa apresentação tem um valor pedagógico claro: obriga o jovem a articular o processo criativo em palavras. Isso é exatamente o que as faculdades de design avaliam em entrevistas de candidatura. Um jovem que já passou pela experiência de defender um projeto diante de uma audiência tem uma vantagem real em relação a quem enfrenta esse momento pela primeira vez no processo seletivo da faculdade.

A apresentação final também é o momento em que o certificado de conclusão é entregue, documentando o cumprimento das 30 horas de aulas e laboratórios e a conclusão do projeto.

O que o jovem leva para casa além do modelo?

O entregável físico é o modelo em argila. Mas o conjunto que o jovem leva para casa é mais amplo:

  • Sketches de processo e sketches refinados do projeto
  • Render digital final produzido com software profissional
  • Fotografias do modelo em argila
  • Certificado de conclusão do programa
  • Referências visuais das visitas técnicas ao Italdesign, Pagani Automobili e ADI Museum

Esse conjunto compõe os elementos iniciais de um portfólio profissional. Para um jovem de 15 a 18 anos, ter esse material estruturado e produzido com orientação especializada representa meses de antecipação em relação ao processo de candidatura para a faculdade. O artigo sobre como construir um portfólio de design automotivo antes dos 18 anos detalha como organizar esse material para as candidaturas.

As visitas técnicas influenciam o projeto final?

Sim, de forma direta. As visitas ao Italdesign, ao Museu Nacional do Automóvel em Turim e à Pagani Automobili não são atividades culturais separadas do programa. Elas são parte do processo criativo. Quando um jovem visita o Italdesign, um dos estúdios de design mais relevantes da história automotiva mundial, ele entra em contato com referências estéticas e metodológicas que influenciam diretamente as escolhas que faz no projeto.

A Motor Valley, região que concentra a Lamborghini, a Ferrari e a Pagani, oferece um contexto de excelência em design que não existe em nenhuma sala de aula. Ver de perto como esses veículos são concebidos e o que representa sua identidade visual amplia o repertório do jovem designer de uma forma que não é replicável por meio de imagens ou vídeos.

Esse repertório aparece no projeto final. Jovens que passaram por essas visitas tomam decisões de design mais conscientes, com referências concretas para justificar cada escolha. Famílias que consideram o  como alternativa de formação internacional encontram uma estrutura igualmente consistente em outro campo.

FAQ

Todos os participantes produzem projetos diferentes?

Sim. O conceito do veículo é desenvolvido individualmente por cada participante. Os instrutores orientam o processo, mas as escolhas criativas, linguagem visual e identidade do projeto são do jovem.

O modelo em argila pode ser transportado de volta ao país de origem?

O modelo é feito em argila industrial e pode ser frágil para transporte. O mais indicado é fotografar com qualidade profissional antes de retornar. As fotos entram diretamente no portfólio digital do jovem.

Meu filho precisa ter experiência prévia em desenho para desenvolver um bom projeto?

Não é necessário ter experiência formal. O programa começa pelos fundamentos e progride em ritmo adequado para iniciantes. O que determina a qualidade do projeto final é o comprometimento e a disposição para aprender durante as duas semanas.

O render digital produzido no programa pode ser usado em candidaturas para faculdade?

Sim. Renders desenvolvidos com orientação profissional e com software especializado têm qualidade adequada para portfólios de candidatura. O contexto do programa também agrega valor ao trabalho apresentado.

Quanto tempo leva para desenvolver o projeto desde o primeiro dia até a apresentação final?

O projeto evolui ao longo das duas semanas do programa, com 30 horas de aulas e laboratórios distribuídas entre os dias de atividade. Cada etapa, do sketch ao modelo físico, é concluída dentro do período do programa.

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Natasha Machado
Founder e CEO, Be Easy